Epidemia de sífilis no Brasil é multicausal, afirma Dr. Jorge Silva

Durante audiência, debatedores informam que houve um aumento de quase 1000% de incidência da doença em grávidas a partir de 2013.

30/09/2015 às 11:26:00 | 180 visualizações

Em audiência pública, nessa terça-feira (29), na Comissão de Seguridade Social e Família palestrantes demonstraram preocupação com o aumento de quase 1000% de incidência de sífilis em grávidas a partir de 2013 e com a crise de abastecimento de penicilina, único medicamento capaz de combater a doença. 

Para Dr. Jorge Silva (PROS-ES), um dos autores do requerimento para o debate, a falta do remédio já está tendo consequências graves, incluindo a incidência de sífilis congênita (transmitida da mãe para o feto via placenta) no País. "Isso já está sendo detectado em vários locais do Brasil", ressaltou. Na opinião do parlamentar, a epidemia é multicausal. "A partir desse diagnóstico, o Governo está traçando linhas de enfrentamento. Devemos cobrar e fiscalizar para que essas medidas sejam cumpridas", afirmou. 

A vice-presidente de Inovação da Eurofarma, Martha Penna, disse que a indústria farmacêutica vai aumentar a produção em 2015. "A venda histórica é de cerca de 2,5 milhões de frascos. A expectativa é que já em 2015 a produção chegue a quase 10 milhões de frascos, porque há aumento da demanda", informou. Ela explicou que o Brasil, apesar de ter uma indústria farmacêutica forte, importa os insumos. "Não fabricamos penicilina mas formulamos o produto final. Buscamos a matéria prima de dois fornecedores, um europeu e um chinês", explicou. Segundo a vice-presidente, houve uma redução de fornecedores mundiais da penicilina nos últimos anos e, por isso, a empresa passou a buscar outras opções, como o mercado chinês.

Preservativos
O coordenador de Comunicação da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alexandre Cunha, disse que a maior epidemia dos últimos dez anos no Brasil é a de sífilis. Ele afirmou que uma explicação possível para essa explosão é a diminuição do uso de preservativos. "Os dados são chocantes", disse. Cunha sugeriu que haja uma maior restrição do uso da penicilina para gestantes e que sejam utilizados os laboratórios farmacêuticos públicos para a produção de antibióticos com alta demanda, como a penicilina.

Governo
O diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, José Miguel do Nascimento Júnior, garantiu que o governo tem atuado para resolver o problema. Ele disse que em 2016 cerca de 2 milhões de frascos estarão disponíveis para distribuição no País. Outra ação do governo, segundo o diretor, é a compra, por dispensa de licitação, de 700 mil frascos do produto para entrega imediata nos próximos 30 dias.

Com informações do Jornal da Câmara. 

 

Redação PROS na Câmara

Sem tags